Will Smith, Seinfeld e a decisão de sair da Reserva

Hoje de manhã eu estava lendo O Mesmo de Sempre, do Morgan Housel e uma frase me travou.

Não é daquelas frases que mudam o que você pensa. É daquelas que revelam o que você sempre sentiu mas nunca teve coragem, tempo ou vocabulário para colocar em palavras.

E, sem pedir licença, ela me entregou a explicação mais honesta para uma decisão sobre a qual quase nunca falo: a nossa saída da Reserva e da AR&Co no final do ano passado.

Saímos como entramos: e e meus três sócios fundadores juntos.

Muita gente me pergunta por quê.

Evitamos falar — por respeito, por cuidado, por não correr o risco de sermos mal interpretados.

Mas hoje… a legenda apareceu.

A frase é simples: “A estabilidade é desestabilizadora. A calma prolongada planta a semente da loucura.”

Isso é profundamente verdadeiro. E vale para tudo na vida: negócios, mercados, relacionamentos, saúde, países, impérios.

Pra explicar como isso conecta com a nossa história, deixa eu te contar três histórias.

1. Will Smith e o sucesso que enlouquece

Depois do caos do tapa no Oscar, Will Smith procurou Denzel Washington.

E ouviu a frase mais honesta já dita sobre sucesso: “No seu momento mais grandioso… é exatamente aí que o diabo aparece.”

O auge é sedativo. O aplauso desarma. O conforto cria cegueira.

A calma — sempre ela — prepara o terreno da loucura.

2. Jerry Seinfeld e a coragem de descer do Everest

Seinfeld foi o programa mais assistido da América nos anos 90. Um fenômeno absoluto. E num dia qualquer… acabou.

Quando perguntaram por quê, Jerry respondeu com a lucidez de um monge: “A única forma de saber se você chegou ao topo é continuar até ver o declínio. E eu não tenho interesse em assistir esse filme.”

É preciso coragem para chegar ao topo. Mas é preciso coragem hercúlea para decidir que ali é suficiente.

Colocar a bandeirinha no Everest… e descer feliz.

3. Pneus, mercados e a matemática do estalo

Quando um fabricante quer saber o limite de um pneu, a lógica é simples: coloca pra rodar até estourar.

Os mercados fazem exatamente o mesmo. Sempre fizeram. Sempre farão.

Aceleram, aceleram, aceleram… até alguém ouvir o estalo.

E aí só existem duas respostas possíveis:

1. Aceitar que “louco” não significa defeituoso — e seguir apostando.

2. Ou dizer “basta”, reconhecer a assimetria do risco, e trocar suas fichas por dinheiro enquanto o resto segue dando all-in.

Exatamente como Seinfeld fez.

Exatamente como Will Smith desejaria ter feito antes do tapa.

Exatamente como a natureza faz quando decide terminar um ciclo.

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