Tem vezes em que você acerta e outras em que você aprende.

O ambiente corporativo muitas vezes nos treina para termos medo do erro. A lógica é sempre a mesma: planejar, controlar, antecipar, mitigar riscos.

Mas, cá entre nós: você já conheceu algum líder admirável que tenha construído uma trajetória memorável sem uma sequência de erros monumentais pelo caminho?

Se tem uma verdade que aprendemos empreendendo, é esta: uma vida sem erros é uma vida sem transformação real.

A era em que vivemos nos oferece algo inédito: nunca tivemos acesso a tantas oportunidades de negócios. Podemos mudar de país, de carreira, de propósito à distância de um clique. Podemos começar um negócio do sofá. Criar uma comunidade do nada. Aprender qualquer coisa de graça.

Por outro lado, nunca se procrastinou tanto na história da humanidade. A abundância de opções gera paralisia de decisão. Muita iniciativa e pouca “acabativa”.

Diante de tantas possibilidades, o maior erro que muitos cometem… é não escolher nenhuma.

Nós lembramos bem de quando largamos nossas carreiras corporativas. Na época, tínhamos empregos sólidos, benefícios, um caminho previsível de sucesso.

Decidimos abrir uma marca de moda com sócios-amigos-de-infância — sem experiência, sem capital, sem “plano perfeito” — e isso parecia um erro fatal.

E, de certo modo, foi: cometemos dezenas deles.

Ainda assim, foi a decisão que deu início à Reserva e a tudo que veio depois.

Anos mais tarde, depois de muito sucesso com as marcas, vivemos outro dilema.

Poderíamos ter ficado confortáveis nos cargos de liderança da AR&Co — nome dado ao Grupo Reserva após a nossa venda para a Arezzo&Co em 2020 —, colhendo os frutos de uma empresa gigante e consolidada. Mas, apesar do enorme sucesso, não estávamos felizes e decidimos sair da empresa que fundamos para empreender novamente. Voltar ao risco. Recomeçar.

Fundamos, novamente juntos, a Rebels Ventures para cocriar as marcas mais incríveis de saúde e bem-estar do futuro. De novo, parecia insensato. De novo, sem dúvida, é o caminho certo.

A clareza sempre aparece no movimento, nunca na espera. Errar rápido, com consciência, é infinitamente mais produtivo do que estagnar com cautela.

Cada grande decisão da nossa vida teve um preço — financeiro, emocional, reputacional. Mas todas nos trouxeram algo que nenhuma planilha entrega: clareza.

Clareza sobre o que queremos. Clareza sobre o que não queremos. Clareza sobre quem somos, afinal.

Estamos acostumados a associar erro à falha, mas, num mundo em constante reinvenção, errar é a melhor forma de atualizar o nosso sistema operacional interno.

Quanto mais decisões ousadas tomamos, mais refinado se torna nosso radar. Os erros diminuem, a intuição afia, a trajetória se alinha.

A opção pelo erro não é coragem inconsequente. É estratégia inteligente.

Então, se podemos deixar um conselho prático: pare de buscar certezas.

Comece a buscar clareza.

E isso só acontece quando você se coloca em movimento — quando simplesmente para de procrastinar, vai lá e faz.



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