Quando todo mundo concorda, ninguém é responsável de verdade.

Além de utópica, a busca pelo consenso irrestrito e eterno não é busca pela clareza. É covardia compartilhada.

Ambientes assim criam times de burocratas. Sempre alinhados, com tudo formalizado por email, e zero empoderados para fazer as coisas. Gente que sabe de cor o job description, mas usa só para atualizar o LinkedIn.

Esses ambientes treinam times para trocar a decisão pela espera. Trocar a postura de dono pela execução apenas sob ordem formalizada por email.

Isso não é alinhamento. É assassinato cultural.

O início da solução de um problema é quando você assume que tem um problema.
Se você lidera um time que vive pedindo alinhamento e não toma decisão, vou te dar uma notícia boa e uma ruim.

A ruim primeiro: a culpa é sua.
Você está sendo um mau líder. Está alinhando, mas não está criando um ambiente de autonomia para que os liderados se sintam empoderados e fortalecidos emocionalmente para tirar a rodinha da bicicleta.

Mas calma. Tem solução.

Hoje, quando alguém me pede uma reunião de alinhamento, eu faço três perguntas antes de aceitar. É o meu teste para saber se a reunião deve ou não acontecer.

Primeira pergunta: que decisão precisa ser tomada nessa reunião?

Se a pessoa não sabe responder, não precisa de reunião. Precisa de clareza sobre o que está em jogo.

Segunda pergunta: quem é o dono dessa decisão?

Se ninguém sabe, o problema não é falta de alinhamento. É falta de definição. A reunião não vai resolver. Definir o dono resolve.

Terceira pergunta: por que essa decisão ainda não foi tomada?

A resposta quase sempre revela o verdadeiro obstáculo. E raramente é falta de informação. Quase sempre é medo.

Se as três respostas forem claras — decisão definida, dono definido, obstáculo identificado — aí sim, a reunião faz sentido.

Se não forem, você não precisa de reunião de alinhamento.

Você precisa de liderança.


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