Você tá com medo de fazer errado?
Dia desses um amigo me ligou reclamando que não aguenta mais participar de reuniões de alinhamento. O líder da empresa dele convoca tantas reuniões pra se alinhar que ninguém tem tempo de executar o que eles alinham.
Se você já trabalhou no ambiente corporativo, tenho certeza que conhece essa sensação.
Eu vivi em um ambiente assim por um longo período da vida. Sei exatamente do que ele estava falando. E já refleti demais sobre o porquê disso acontecer.
Cheguei a uma conclusão que mudou minha forma de lidar com isso.
O problema não é falta de alinhamento. O problema é que a liderança da empresa é fraca e insegura.
Quando algo trava, o líder pede alinhamento. Quando uma decisão parece arriscada, o time quer alinhamento. Quando ninguém quer assumir a responsabilidade, alinhamento vira o objetivo.
Parece maduro. Parece colaborativo.
Não estou dizendo que alinhamento não é importante. Estou dizendo que alinhamento sem autonomia de decisão é insegurança pura e simples. E isso cria um efeito dominó de não-responsabilidade para toda a companhia.
As reuniões de alinhamento acabam servindo única e exclusivamente para que ninguém tenha culpa. Para que ninguém seja diretamente responsável por nada de ruim que possa acontecer. Porque tudo foi devidamente — e nos mínimos detalhes — alinhado antes.
Quando todo mundo concorda, ninguém é responsável de verdade.
Além de utópica, a busca pelo consenso irrestrito e eterno não é busca pela clareza. É covardia compartilhada.
Ambientes assim criam times de burocratas. Sempre alinhados, com tudo formalizado por email, e zero empoderados para fazer as coisas. Gente que sabe de cor o job description, mas usa só para atualizar o LinkedIn.
Esses ambientes treinam times para trocar a decisão pela espera. Trocar a postura de dono pela execução apenas sob ordem formalizada por email.
Isso não é alinhamento. É assassinato cultural.
O início da solução de um problema é quando você assume que tem um problema.
Se você lidera um time que vive pedindo alinhamento e não toma decisão, vou te dar uma notícia boa e uma ruim.
A ruim primeiro: a culpa é sua.
Você está sendo um mau líder. Está alinhando, mas não está criando um ambiente de autonomia para que os liderados se sintam empoderados e fortalecidos emocionalmente para tirar a rodinha da bicicleta.
Mas calma. Tem solução.
Hoje, quando alguém me pede uma reunião de alinhamento, eu faço três perguntas antes de aceitar. É o meu teste para saber se a reunião deve ou não acontecer.
Primeira pergunta: que decisão precisa ser tomada nessa reunião?
Se a pessoa não sabe responder, não precisa de reunião. Precisa de clareza sobre o que está em jogo.
Segunda pergunta: quem é o dono dessa decisão?
Se ninguém sabe, o problema não é falta de alinhamento. É falta de definição. A reunião não vai resolver. Definir o dono resolve.
Terceira pergunta: por que essa decisão ainda não foi tomada?
A resposta quase sempre revela o verdadeiro obstáculo. E raramente é falta de informação. Quase sempre é medo.
Se as três respostas forem claras — decisão definida, dono definido, obstáculo identificado — aí sim, a reunião faz sentido.
Se não forem, você não precisa de reunião de alinhamento.
Você precisa de liderança.

