Você está ficando mais burro. É comprovado.

A maioria das pessoas vai ler isso e não vai fazer nada.

Vão concordar. Vão sentir o peso por um instante. Depois vão abrir o Instagram ou o Tiktok.

Isso é o produto funcionando exatamente como foi projetado.

📱 As telas estão nos deixando mais burros

Pela primeira vez na história da humanidade as novas gerações são mais burras que as anteriores. E, infelizmente, não é a minha opinião. Trata-se de fato comprovado em testes feitos em mais de 730 mil pessoas.

Para que você entenda melhor, vou te contar a história desde o começo.

Em 1984, um filósofo chamado James Flynn analisou décadas de testes de QI e descobriu que a humanidade ficava progressivamente mais inteligente ao longo do tempo, ganhando três pontos de QI a mais em média por década. A cada geração, filhos mais espertos que os pais.

O chamado “Flynn Effect” também comprovou que isso não acontecia por uma questão genética, e sim por uma questão de mudança de ambiente. Uma melhor nutrição, os avanços nas metodologias de ensino nas escolas e um mundo mais complexo aumentavam a cognição e tornavam as gerações seguintes mais inteligentes que as anteriores.

Por um século inteiro a curva de QI da humanidade só subiu. Até que não apenas parou de subir como passou a decrescer.

Em 2024, o psicólogo Lars Dehli atualizou os dados analisados por Flynn e mostrou que a curva começou a inverter por volta de 2010. E sabe por quê? Com a explosão dos smartphones, 2010 foi o ano em que as telas começaram a se tornar extensão do nosso corpo.

⚠️ Atenção não é um recurso. É tudo o que você é

Recentemente li a excelente obra Capitalismo da Atenção, de Chris Hayes. É leitura obrigatória e de utilidade pública. O autor não apenas explica por que estamos ficando mais burros como propõe também soluções.

Atenção não é apenas um recurso humano limitado. É o substrato de tudo o que somos. Tudo aquilo a que você dá atenção, você se torna.

Seus pensamentos, suas ideias, sua capacidade de resolver problemas, de ter uma conversa profunda, de criar algo do zero; tudo isso roda em cima de atenção. Quando você a entrega, não está apenas perdendo tempo. Está perdendo a si mesmo.

As plataformas de mídias sociais são negócios que vendem a nossa atenção para anunciantes do mundo todo. Quando precisam faturar mais, o que fazem? Contratam os melhores cientistas do mundo para programar algoritmos que aumentam o nosso tempo de tela e, por consequência, vendem mais anúncios.

Como o faturamento precisa crescer todos os anos e não existe nenhuma regulação para este “mercado da atenção”, a longo prazo pode-se dizer que o que começou com a nossa atenção terminará com tudo aquilo que somos e pensamos.

Após a Revolução Industrial, a humanidade chegou a um equilíbrio razoável: 8 horas para dormir, 8 horas para trabalhar e 8 horas para se divertir e viver a vida. Pois bem: para além do tempo de sono e de trabalho, a média de tempo de tela de uma pessoa hoje é de 7 horas por dia. No Brasil, absurdas 9 horas. As telas já são donas do nosso tempo de vida.

🍿 Nossos filhos não sabem o que estão perdendo

A minha geração e as anteriores tiveram a oportunidade de ler livros, ir ao cinema, esperar para ver um determinado programa televisivo que só passava em um horário fixo. Ou seja, temos alguma reserva de QI e de QE.

E os nossos filhos e netos? Eles desconhecem o valor do ócio e do momento presente. Nasceram e estão crescendo trancados em seus quartos, alienados pelas telas. Não existe preço para o que estamos entregando gratuitamente para as plataformas digitais.

E isso fica claro quando os próprios fundadores e CEOs dessas plataformas proíbem seus filhos de utilizá-las. Eles construíram o produto. Sabem exatamente o que ele faz. E não querem para os seus.

Da mesma forma que o ambiente nos fez progressivamente mais inteligentes até 2010, é imperativo que mudemos de ambiente o mais rápido possível.

A solução não é força de vontade. É decisão. Decida que tipo de mente quer construir, e o ambiente se torna óbvio.

Um livro em vez de um reel. Uma conta de cabeça em vez do GPT. Uma conversa longa em vez do scroll infinito. A família toda assistindo um filme no cinema ou na sala de TV, ao invés de cada um em seu quarto no TikTok. Celulares fora do quarto e fora da mesa de almoço e jantar.

🧠 As máquinas estão ficando mais inteligentes

De um lado, a cada dia as plataformas digitais nos tornam mais burros e alienados. Do outro, essas mesmas plataformas e seus modelos de inteligência artificial se tornam progressivamente mais inteligentes e autônomos.

Pense nisso por um momento. Enquanto a sua capacidade de pensar diminui, a capacidade das máquinas cresce. E as duas curvas se cruzarão em algum ponto.

Não precisa ser muito inteligente para entender que isso não vai terminar bem.

Isso é um aviso ou uma oportunidade. Depende do que você faz a seguir.

Leiam Capitalismo da Atenção. Com urgência.


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