Esse texto é sobre uma verdade inconveniente que há muito tempo está entalada na minha garganta:

A ostentação que vemos todos os dias na internet não é sobre vaidade. É sobre medo e insegurança.

Aqueles que ostentam o fazem pelo medo de não parecer o que as pessoas esperam que elas sejam. O medo de não ser levado a sério sem a armadura da aparência.

O medo de ficar pequeno demais num mundo que mede valor por imagem.

E, acreditem, esse medo já está destruindo mais sonhos do que a falta de dinheiro os impediria de realizar.

Certa vez encontrei um amigo em um shopping. Ele tinha acabado de comprar um relógio de luxo. Eu sabia que ele, como gerente de uma empresa e não vindo de família rica, não podia pagar por aquilo sem se apertar.

Perguntei o porquê.

Ele me contou que comprou um relógio de luxo porque ouviu influenciadores dizendo que isso faria as pessoas o levarem mais a sério e aceleraria seu sucesso. Achava que estava investindo num “atalho” para o reconhecimento.

Entre o brilho da tela e a fatura atrasada, vi o retrato de uma geração: gente comprando símbolos de credibilidade na esperança de que a imagem abra portas que o esforço ainda não abriu. Como se o relógio pudesse apressar o tempo e garantir o prêmio na velocidade de um post.

Uma amiga da moda vive a mesma lógica. Ganha bem, mas gasta quase tudo pra manter a aparência esperada: looks novos, cabelo impecável, eventos. Compete por pertencimento, porque parecer fora de lugar significa perder acesso e sem acesso, não há trabalho. Ganha bem, mas vive endividada, pagando pra sustentar a ilusão de sucesso.

Eu também quase caí nessa armadilha. No início da minha carreira, não tinha o estereótipo da moda: era “fora do padrão”, mais de vendas que de estilo. Me chamaram de marrento, até eu entender que ser de verdade é ser diferente — e transformar o “marrento” em “rebelde”.

Todo trabalho cobra um preço invisível pra você parecer que pertence. E quando você não paga, o sistema tenta te isolar. Mas é justamente esse isolamento que separa quem finge de quem constrói.

A maioria gasta pra parecer bem-sucedida. Poucos investem pra realmente se tornar. Eu mesmo já paguei caro pra parecer que estava no jogo — ferramentas, grupos, acessos que não levaram a nada. Até perceber que o jogo real acontece longe dos holofotes.

Em todos os setores, o padrão se repete: pessoas comprando o direito de parecer o que ainda não são e pagando caro por um acesso que, pra quase todos, nunca chega.

O jogo real acontece nos bastidores.

E aqueles que estão te vendendo o holofote estão jogando o jogo certo — pra eles.

Porque não é você que vai ficar mais bem-sucedido se seguir o que eles dizem.

É eles que estão ficando mais ricos e bem-sucedidos por te fazer acreditar nessas idiotices.

Você não está comprando o sucesso. Está financiando o deles.

O custo de parecer bem-sucedido vai provavelmente comer todo o lucro de ser bem-sucedido. E quando você amadurecer, vai se arrepender.

A ostentação não é sobre vaidade. É sobre medo. Puro e bruto.

O que fazer? Corte tudo.

Pare de seguir na internet aqueles que mexem para o mal com o seu emocional.

E nada de ruim vai te acontecer, você vai ver.

Use o dinheiro pra fazer o que você gosta, com quem você ama. Esse é o melhor investimento da vida. Quanto mais fizer isso, mais feliz será e essa felicidade sim possivelmente te ajudará a ser melhor sucedido também nos negócios.

De verdade, tudo vai ficar mais leve e verdadeiro.

Sua autoestima vai aumentar, não por causa do relógio, mas por causa da coragem de bancar o fato de que não é sobre o relógio.

É sobre você.

A aparência é a armadura de quem ainda tem medo.

A verdade é o uniforme de quem já fez as pazes com quem é.

As aparências tem prazo de validade.

A sua verdade, não.

E se tem uma coisa que eu aprendi trabalhando 20 anos com o mercado de moda e beleza é que a elegância não é jeito de vestir ou ter.

É jeito de ser e agir.

Se esse texto te fez pensar, compartilha com amigos(as) que precisam ouvir isso hoje.

E me conta — respondendo a este e-mail — a reflexão te tocou de alguma maneira? Porque?

📍 Rony Meisler – Manual de Dono



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