Eu prefiro ser feliz do que tentar ser f@d@!

As pessoas acham que o tempo cura tudo. Não cura. O tempo fecha a ferida. Mas a cicatriz fica. E é a cicatriz que define quem você se torna.

Olha os baby boomers. Filhos da guerra, da escassez, do medo. Eles poupam mais, assumem menos risco, são mais conservadores. Não porque escolheram ser assim, mas porque viveram algo que reprogramou o cérebro deles.

Toda tragédia faz isso. Um reset permanente no sistema operacional. Você nunca mais volta a pensar igual. Eu tenho as minhas cicatrizes.

Vi a Reserva quase quebrar antes de virar o que virou. Vi caixa secar. Vi sócio duvidar. Depois a levamos até R$2 bilhões de faturamento anual e a vendemos por um valor que nunca sonhamos vender.

Essas quedas mudaram como eu penso sobre risco, sobre crescimento, sobre negócios e sobre o que realmente importa. Quem para para escutar e estudar a nossa história com toda certeza nos compreenderá melhor.

É por isso que eu prefiro empreendedores que viveram crises do que os que só leram sobre elas. Quem sobrevive a uma queda real fica frugal, resiliente, disciplinado. Dor cria habilidades que nenhum curso ensina.

Mas não é só nos negócios. É na vida. Olha o mundo em que a gente vive. O “centro” não existe mais. Tudo virou fla-flu. Tudo se politizou pra esquerda ou pra direita. Se você é a favor do casamento gay, tem que ser de esquerda. Se você é a favor de incursão policial contra o tráfico, tem que ser de direita.

Não pode ser os dois. Não pode ser nenhum. O centro, ou centrão, virou palavrão. Nada pode ficar mais no meio, mas quando analisamos a natureza, ela sempre evoluiu e resolveu suas coisas no meio. A vida pacifica sempre aconteceu no meio.

As pessoas não discordam porque são burras, mas porque carregam cicatrizes diferentes. Você pensa com as suas dores. Eu penso com as minhas. E todo mundo grita sobre as suas feridas ao invés de explicar suas cicatrizes.

Em algum momento da vida, algo importante aconteceu. Criou uma ferida. A ferida virou cicatriz. E a cicatriz virou opinião. E em um mundo no qual todo mundo precisa dar opinião o tempo todo as pessoas não pensam com seus cérebros, mas com as suas cicatrizes.

Esse texto é meio filosófico meio opinião assumidamente utópica: Precisamos nos encontrar novamente no meio.

Se ao invés de xingar, julgar e brigar parássemos para entender que embaixo da opinião de um existe dor não vivida pelo outro talvez conseguíssemos começar a encontrar uma solução para o mundo. Encontrar um lugar comum.

Só que entender a cicatriz do outro exige uma coisa que ninguém aceita no mundo da validação social 24 por 7: Assumir a própria ignorância. Admitir ignorância dói mais do que o esforço da empatia. Então ninguém o faz.

Dito isso, termino o texto puxando a corrente: Eu sou de centro. Sempre fui. E me esforço muito para isso porque acredito que a vida é muito melhor no lugar do diálogo de mente aberta do que no do monólogo egoísta.

As feridas fecham. As cicatrizes ficam. E são as cicatrizes — não os fatos, não os argumentos, não as teorias — que moldam as verdades das pessoas. Nos negócios, na política, na vida.

O segredo da vida está numa postura que a humanidade a cada vez mais esquece: Escutar, de coração e mente abertos, os outros. Se você quer ser um bom líder e cidadão, não se esqueça jamais disso.

Dito isso, deixo-o com a frase de efeito que esse texto merece:

Eu prefiro ser feliz do que tentar ser f@d@ e querer estar sempre certo.



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