Sabe qual é o momento mais perigoso para sua carreira?
Não é quando você erra. É quando você acerta.
Já vi isso acontecer dezenas de vezes.
Negócios que começaram com a intenção mais pura — resolver um problema real do cliente, entregar valor de verdade. E que, quando o mundo começou a aplaudir, perderam o rumo.
Marcam um primeiro gol, são publicamente reconhecidos, prêmios, matérias de jornal, eventos por todo o país… E, de repente, a empresa que nasceu pra resolver um problema do cliente passa a viver pra alimentar o próprio ego das pessoas que a comandam.
Escrevendo esse texto, lembrei da velha máxima: motorista cai da moto quando ele acha que dirige tão bem que não vai cair nunca. A segurança gera o relaxamento que, paradoxalmente, gera a insegurança.
Vejo isso todos os dias no mercado de trabalho: o profissional que entregou um resultado e se achou insubstituível. Outro bom e grande exemplo: você não tem ideia de quantas empresas no mundo quebram após o sucesso na compra de outra empresa. Quando uma aquisição dá certo, o resultado vem, os jornais celebram o CEO, que amanhece com a tentação de fazer outra aquisição no dia seguinte. E assim ele vai fazendo até criar uma confusão tão grande que já não é capaz de resolver.
Quando o mercado aplaude, o instinto é continuar buscando outro aplauso e não necessariamente fazer o que deve ser feito.
Quando o ego vai pouco a pouco migrando o foco da empresa do cliente para o palco, a missão vai se dissolvendo e o propósito vira uma mera ferramenta de autopromoção.
A opinião contrária, que antes era bem-vinda e gerava valiosos aprendizados, passa a ser vista como uma afronta pessoal e motivo de guerra política na organização.
Quando isso acontece, o diálogo morre.
A escuta desaparece. E a empresa toda começa a operar num espelho distorcido, onde só enxerga o próprio reflexo.
Não é sobre não comemorar as vitórias, nós as comemoramos, é sobre criar uma cultura que não as leve tão a sério e nem transforme excelentes profissionais em narcisistas ególatras. É sobre salvar as pessoas delas mesmas e, por consequência, a empresa. Esse é o principal papel do líder.
Como diz meu coach e amigo Bernardinho: chegar ao sucesso é muito mais fácil do que se manter lá. O ego é o maior inimigo do homem.
O sucesso não é o inimigo. A vaidade é.
Dito tudo isso, fica o recado:
Faça uma autoanálise. Está começando a achar que só você sabe das coisas?
Calma, irmão. Se continuar assim, você vai cair da moto. Esse costuma ser o começo do fim. Dois pés no chão. Sempre.
Amo vocês, fui!
P.S: Amaria saber o que você achou desse texto e se ele te ajudou.
Basta responder esse e-mail me contando que leio tudo!

