O tênis que salvou a Adidas de uma crise histórica.
Você conhece o Adidas Samba, né? Claro que conhece. Mas aposto que você não sabe que esse pedacinho de borracha e lona foi o bote salva-vidas que tirou a Adidas de uma das maiores crises da história da marca.
Deixa eu te contar.
Tudo começou em 1950, quando a seleção alemã de futebol pediu a Adolf Dassler, o fundador da Adidas, uma chuteira que não escorregasse no gelo do inverno europeu. Adolf pegou tudo quanto é material disponível e criou uma sola tão boa que os atletas brincavam dizendo que conseguiam sambar em campo. Daí veio o nome. Essa você não sabia, né?
Com o tempo, o design foi sendo reformulado com base na cultura e no uso real do produto. Nos anos 90, os skatistas adotaram o tênis, e essa nova versão chegou nos pés de celebridades da cultura pop.
Só que o tempo passou e o Samba foi caindo no esquecimento. Nesse mesmo período, a Adidas vivia um momento turbulentíssimo por conta da concorrência acirrada com a Nike, da mudança no comportamento do consumidor e do crescimento de marcas independentes que deixaram o mercado mais competitivo do que nunca.
Até que nos últimos anos, a Geração Z foi pro TikTok e resgatou de uma vez o estilo de futebol dos anos 80, camiseta de clube, calça larga e Samba nos pés. E esse look começou a aparecer aos milhões nos feeds do mundo inteiro, filmado em quarto de adolescente em Londres, em metrô de Nova York, em calçada de São Paulo. A cultura escolheu o tênis antes da Adidas perceber que tinha um tesouro parado no estoque.
E é aí que o Samba volta com tudo. Não por campanha. Não por anúncio. Aquele tênis começou a aparecer silenciosamente nos pés de quem manda na cultura: editores de moda, músicos, aquele perfil do Instagram com oito mil seguidores mas que todo mundo no mercado acompanha porque sabe que o que ele usa hoje vai estar nas lojas daqui seis meses.
A demanda pelo Samba cresceu quase 500% em buscas globais entre 2022 e 2023, disparado acima do Nike Dunk, que era o tênis mais procurado do planeta.
A sacada da Adidas foi então expandir a cartela de opções para o Samba, com estampas em diversas cores. O hype era do TikTok às passarelas de Milão.
