O melhor técnico do Brasil não joga bola.

O melhor técnico brasileiro em atividade não é o Tite, não é o Dorival e muito menos o Filipe Luís. Ele nem é do futebol.

É do vôlei, já conquistou duas Copas do Mundo e dois ouros olímpicos, e responde pelo nome de Bernardinho. Além de excelente técnico, é um dos maiores líderes que eu conheci pessoalmente.

Um time cheio de estrelas. Sem título há sete anos.

Em 2001, Bernardinho assumiu a seleção brasileira masculina de vôlei num momento complicado. Parecia que nada funcionava. O próprio elenco era recheado de craques: Giba, Gustavo, Nalbert, Ricardinho.

Talento não faltava. O que faltava era outra coisa.

Bernardinho entregou essa outra coisa (p@rr#ada kkkk). Veio o campeonato mundial, depois uma Copa do Mundo e, em 2004, o ouro olímpico de Atenas.

O que funcionou parou de funcionar

O tempo passou. Os mesmos nomes continuaram. E a seleção parou de vencer.

Foi aí que Bernardinho precisou abrir mão do que tinha dado certo antes e criar um processo novo, baseado em três pilares: disciplina inabalável, feedback constante e responsabilidade compartilhada.

Disciplina significava treinar o que ninguém via. Feedback significava dizer a verdade, mesmo quando doía. E responsabilidade compartilhada significava que todo mundo era dono do resultado. Não tinha essa de “eu fiz a minha parte”. Ou o time inteiro ganhava, ou o time inteiro perdia.

Resultado: voltaram a vencer. E o grupo de craques individuais se tornou uma máquina coletiva. Bernardinho não precisava ser amado. Ele precisava ser claro. E isso já era o suficiente.

A pergunta que mudou minha forma de liderar

Tive a honra de sentar com o Bernardinho algumas vezes. Mas teve um café, em específico, que eu lembro até hoje.

Ele me fez uma pergunta que parece simples, mas de simples não tem nada: “Rony, o seu time sabe exatamente o que você espera dele?”

Essa pergunta mexeu comigo, meus amigos.

Dali em diante eu entendi que, seja num time de atletas ou de vendedores, a responsabilidade do líder não termina quando ele fala. Ela termina quando a mensagem foi recebida, entendida e aplicada do outro lado.

Foi essa base que fez nós dois, cada um à sua maneira, construir legados. Não com discurso. Com exemplo.

Porque a palavra até convence. Mas só o exemplo arrasta.


#CABEÇADEDONO

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